Campanha Mulher Coração: prevenção de doenças cardiovasculares em mulheres

Durante muito tempo as doenças cardiovasculares em mulheres receberam pouca atenção. Existia o mito de que elas não eram um grupo de risco importante.

Causas das doenças cardiovasculares em mulheres


Mas não é mais assim. Com a ocupação do mercado de trabalho por mulheres, além da adoção de estilo de vida estressante e associado, muitas vezes, ao tabagismo e ao uso de pílula anticoncepcional, ampla parcela das mulheres encontra-se suscetível a eventos cardíacos.



A mortalidade é grande. Dados da Organização Mundial da Saúde confirmam a necessidade de trazermos esta questão à tona e, sobretudo, para dentro do consultório. Mais de 23 mil mulheres morrem por dia no mundo vítimas de doenças cardiovasculares, cerca de 8,5 milhões ao ano.
Desta forma, eventos cardíacos na mulher já ultrapassam as estatísticas dos tumores de mama e de útero. Falta ainda a cultura de realizar acompanhamento preventivo. Esta foi outra das motivações para a Sociedade Brasileira de Clínica Médica criar a Campanha Mulher Coração...

Campanha Mulher Coração


Mulher Coração campanha
Campanha Mulher Coração

Trata-se de uma iniciativa permanente para alertá-las que também estão passíveis se sofrer problemas do coração.

Uma das ações que nos comprometemos a adotar para diminuir os números alarmantes é difundir o conhecimento para toda a população, em especial à feminina, a fim de que, diante de suspeitas, procure um médico e não subestime os sinais. O quadro clínico é variável e a dor no peito pode passar despercebida.

Não adianta ser corajoso com doenças cardíacas, é melhor pecar pelo excesso, principalmente quando há predisposição genética, colesterol alterado, altos níveis de estresse e uso inadequado de anticoncepcional. Nestes casos, o atendimento precisa ser imediato, haja vista a paciente poder estar sofrendo um infarto do miocárdio, doença cardíaca mais grave.

A prevenção precisa ser mais bem trabalhada e, para tanto, o papel do ginecologista é essencial. O especialista, verdadeiro clínico da mulher, deve assumir a função de verificar os fatores de risco e adotar tratamento preventivo. Assim, caso ela venha a sofrer um infarto na vigência da prevenção, será menos grave e com menor sequela.

Cuidados precoces são a segunda perna do tripé que estamos divulgando por meio da Campanha Mulher Coração. Mediante suspeitas, o atendimento deve ser realizado o quanto antes e o tratamento logo aplicado, reduzindo o número de sequelas e, sobretudo, mortalidade.

Por fim, um dos maiores esforços da Campanha refere-se à orientação, ainda pouco incorporada pela população de maneira geral e particularmente entre as pessoas mais vulneráveis economicamente. É necessário manter hábitos de vida saudável e não praticar esporte por conta própria, sem passar por um médico. A indicação quanto à atividade física é importante tanto no ponto de vista cardíaco, quanto músculo-esquelético.

Uma avaliação previa pode detectar uma doença que ainda está silenciosa e com intervenção precoce é possível evitar morte súbita, por exemplo.

Não é à toa que os famosos check-ups são tão importantes. Em decorrência de acompanhamento pediátrico incompleto, encontramos frequentemente adultos com doenças cardíacas congênitas, como a comunicação entre os ventrículos e entre os átrios. O exame cardíaco adequado deve ser feito desde criança para já tratar condições como estas e evitar complicações. É fundamental que façam parte do escopo do clínico; todo médico tem a obrigação de saber identificar uma doença cardiovascular.




Compreendemos que no Brasil não há médicos para todos e nosso sistema público de saúde deixa muito a desejar. Atendimento básico precário, que aumenta as chances de agravamento dos quadros, visa solucionar apenas com os sintomas dos pacientes, sem preocupar-se em promover análise completa, com prevenção e foco no individuo e sua vida social.

A prevenção é um dos fatores essenciais e engloba todo o universo no qual a mulher está inserida: alimentação, exercício físico orientado e correção de distúrbios metabólicos, só para citar alguns. São essas informações que a SBCM está multiplicando com a Campanha Mulher Coração. O cuidado com as doenças cardíacas na população feminina não pode jamais ser relegado a um segundo plano.

Fonte: Professor Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

Redação: Renata Fraia - farmacêutica e jornalista, atuando desde 2008 na atenção e assistência farmacêutica nos blogs Saúde da Mulher e Saúde com Ciência
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Detecção precoce do câncer de mama é enfatizada no Outubro Rosa

O rosa colore o mês de outubro por uma boa causa... a detecção precoce do câncer de mama

A cor ROSA representa a campanha internacional Outubro Rosa, promovida pelo Ministério da Saúde e INCA com objetivo de compartilhar informações sobre a doença, e conscientizar sobre a importância da detecção precoce do câncer de mama.

Outubro Rosa: Detecção precoce do câncer de mama
Detecção precoce do câncer de mama é enfatizada no Outubro Rosa

Que fatores contribuem para o câncer de mama?


Segundo o Dr. Leandro Ramos, oncologista (SEMPRE trate um câncer de mama com um mastologista + um oncologista) da Oncomed-BH, a doença não tem causa única.

“Seu desenvolvimento (...) em função de uma série de fatores de risco, sendo a idade o mais importante para o câncer de mama (...). A incidência da doença cresce progressivamente com o envelhecimento, sendo que a ocorrência desse tipo de câncer pode ser externa ou interna ao organismo, interagindo de várias formas, o que aumenta a probabilidade de transformações malignas nas células normais”, explica o médico.




Outros fatores que podem contribuir para o desenvolvimento o câncer de mama são:

  • História familiar positiva 
  • História pessoal de câncer de mama 
  • Reposição hormonal (principalmente com estrogênio e progesterona associados) 
  • Obesidade 
  • História menstrual: pela maior exposição aos hormônios femininos, mulheres que tiveram sua primeira menstruação antes dos 12 anos e ou entraram na menopausa após os 55 anos, têm um risco aumentado de desenvolver câncer de mama
  • História reprodutiva: Mulheres que não tiveram filhos ou tiveram o primeiro filho após os 30 anos, e ainda as que não amamentaram, também compreendem o grupo de maior risco
  • Ingestão regular (mesmo que moderada) de álcool 
  • Presença de mutação genética (incluindo BRCA1, BRCA2, entre outros): embora apenas de 5% a 10% de todos os cânceres de mama sejam causados por estas mutações, sabe-se que a mulher que as possui tem risco muito aumentado de desenvolver tal neoplasia.

Não é possível parar de envelhecer, mudar o histórico familiar ou interferir na idade da primeira menstruação da mulher, porém, é factível seguir as recomendações acima para a prevenção primária da doença.

Chances de cura do câncer de mama




As chances de cura do câncer de mama dependem do tipo de tumor, da idade e das condições de saúde do paciente e do estágio em que o câncer for detectado.

Por isso, a prevenção secundária, que significa garantir o diagnóstico precoce no controle da doença, é tão importante.

“A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que todas as mulheres façam a mamografia anualmente, a partir dos 40 anos. Cerca de 95% dos pacientes em bom estado de saúde, que descobrem o câncer de mama em fase inicial e seguem o tratamento recomendado, se livram da doença após cinco anos”, afirma o Dr. Leandro Ramos.

Redação: Renata Fraia - farmacêutica e jornalista, atuando desde 2008 na atenção e assistência farmacêutica nos blogs Saúde da Mulher e Saúde com Ciência

Fonte: Oncomed-BH
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