Trombose por uso de anticoncepcional

Foi manchete nos principais veículos de informação: trombose por uso de anticoncepcional é um dos efeitos colaterais dos anticoncepcionais.

Como farmacêutica nunca entendi o porquê de muitos médicos receitarem anticoncepcionais sem antes saber o histórico familiar e pessoal de pacientes com relação a problemas de circulação, venosos ou arteriais. E a explicação é muito simples (daí minha indignação): um dos efeitos colaterais de certos anticoncepcionais é a trombose.

Que bom que as redes sociais existem e as pessoas possam divulgar o que antes ficava restrito ao sigilo hospitalar...

Trombose por uso de anticoncepcional
Trombose por uso de anticoncepcional - comunidade Facebook

Professora que sofreu trombose por causa de anticoncepcional divulga vídeo e cria página no Facebook!


Com a divulgação do vídeo e criação da página no Facebook, a professora atestou que o problema é bem mais comum do que se pensa.

“Nunca imaginei essa repercussão. Pensei que tinha acontecido isso comigo só, mas vi que esses eventos não são raros. Já recebi mais de 300 depoimentos de pessoas que tiveram o mesmo problema e que tomavam as mais diversas marcas de anticoncepcional. Acredito que repercutiu porque meu alerta é que anticoncepcional não é água, não pode ser tomado indiscriminadamente”, disse Carla.

Carla passou a usar o anticoncepcional Yasmim (conhecido por sua baixa taxa hormonal) para combater cólicas provocadas por miomas e disse que fez todos os exames que atestaram que não havia problema algum de saúde.

A Bayer HealthCare - laboratório que fabrica o anticoncepcional - comentou sobre o caso:

“A possibilidade de tromboembolismo venoso, associada ao uso de contraceptivos hormonais combinados é baixa”. “É aprovado por todos os grandes órgãos regulatórios mundiais, incluindo a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]” e que “mantém seu posicionamento de transparência na investigação minuciosa de relatos de efeitos adversos possivelmente relacionados a este produto”.

O médico responsável por Carla disse:

“O medicamento pode alterar a coagulação sanguínea, predispondo a pré-formação de trombos, tanto cerebral, quanto em membros inferiores. Quando um trombo desloca, pode ir, por exemplo, para o pulmão e causar embolia pulmonar”.

Comentários Saúde da Mulher sobre o caso da professora que teve trombose por uso de anticoncepcional.


Ainda que pareçam assustadoras, é sempre de fundamental importância que todas as bulas de medicamentos sejam lidas. Em vez de ficar com medo de usar o medicamento você poderá ficar mais alerta para qualquer sintoma que aparecer e se associar ao uso de tal medicamento, o que facilitará a busca por ajuda.

E se ao consultar o ginecologista ele não perguntar sobre seu histórico sobre a doença, informe você mesma a ele. Certo? (Renata Fraia - farmacêutica)

Assista ao vídeo da mulher que teve trombose por uso de anticoncepcional:




Você utiliza o anticoncepcional Yasmin e está cheia de dúvidas? Calma! Vamos dar mais informações:

Hormônios do anticoncepcional Yasmin


Cada comprimido contém 3 mg de drospirenona e 0,03 mg de etinilestradiol. Cart. c/ 1 env. c/ blíster-calendário de 21 compr. revestidos.

Contra-indicações do Yasmin


Contraceptivos orais combinados (COCs) não devem ser utilizados na presença das seguintes condições: - presença ou história de processos trombóticos/tromboembólicos (arteriais ou venosos) como, por exemplo, trombose venosa profunda, embolia pulmonar, infarto do miocárdio; ou de um acidente vascular cerebral; - presença ou história de sintomas e/ou sinais prodrômicos de trombose (por exemplo: ataque isquêmico transitório, angina pectoris); - história de enxaqueca com sintomas neurológicos focais; - diabetes mellitus com alterações vasculares; - a presença de um fator de risco grave ou múltiplos fatores de risco para a trombose arterial ou venosa também pode representar uma contra-indicação (veja item Precauções e advertências-); - presença ou história de pancreatite associada a hipertrigliceridemia grave; - presença ou história de doença hepática grave, enquanto os valores da função hepática não retornarem ao normal; - insuficiência renal grave ou aguda; - presença ou história de tumores hepáticos benignos ou malignos; - diagnóstico ou suspeita de neoplasias dependentes de esteroides sexuais (por exemplo, dos órgãos genitais ou das mamas); - sangramento vaginal não-diagnosticado; - suspeita ou diagnóstico de gravidez; - hipersensibilidade a qualquer um dos componentes do produto. Se qualquer uma das condições citadas anteriormente ocorrer pela primeira vez durante o uso de COCs, a sua utilização deve ser descontinuada imediatamente.

Leia mais sobre anticoncepcionais no Saúde da Mulher.

Fonte: G1
Vídeo: Youtube/carla simone castro
Foto:Facebook
Conteúdo do Saúde da Mulher é informativo/educativo. Não exclui consulta com profissional de saúde. Este artigo pertence ao Saúde da Mulher. Plágio é crime previsto no artigo 184 do Código Penal.

2 comentários:

  1. Olá... sou a professora Carla, citada no Blog.
    Minha grande pergunta, após ler centenas de artigos sobre o tema, incluindo os da neurologia, que apontam os ACOS como um dos principais fatores de risco para DERRAME CEREBRAL, que é o que tive, é: Como saber se a paciente tem predisposição genética sem exames prévios. O fato de NÃO TER HISTÓRICO FAMILIAR, NÃO SIGNIFICA QUE NAO HAJA A CONDIÇÃO. Eu nao fumo, nao bebo, não sou obesa, não sou hipertensa, n]ao sou diabética e NÃO TENHO HISTÓRICO FAMILIAR. Ainda não sei se sou portadora de trombofilia. Exames só poderão ser feitos daqui ha 6 meses. Eu li a bula do medicamento, tenho este hábito. Ouvi da minha médica que não me preocupasse. Isso é raríssimo, ela disse. Não acontece. ACONTECEU COMIGO.
    Entendo que os exames são caros e a não indicação pode ser para evitar um aumento significativo dos gastos para o planos de saúde. Mas submeter a pacientes a uma roleta russa, pra mim é crime!
    Veja, quantos casos raros, nós somos!
    https://www.facebook.com/pages/V%C3%ADtimas-de-anticoncepcionais-Unidas-a-favor-da-Vida/279481195591370

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    1. Oi Carla, tudo bem?

      Primeiro gostaria de agradecer seu comentário. Ele enriqueceu o post. Quero afirmar que admiro sua coragem. São pessoas como você que fazem com que algo aconteça, mude e se transforme completamente.

      Bom, pelo que você relata, de fato, sua médica acertou ao dizer que o medicamento é seguro, já que você NÃO APRESENTA NENHUM FATOR DE RISCO (genético ou fatores externos, como o fumo e etc.).

      No entanto, mesmo o mais seguro dos medicamentos pode causar em certas pessoas algum tipo de efeito adverso. É claro que há pessoas mais suscetíveis a tais fatores, mas não parece ter sido seu caso.

      Espero que seu vídeo e todos os seus relatos sirvam de exemplo para médicos e pacientes também. Infelizmente, a medicina não é uma ciência exata como a matemática. No corpo humano e em toda a complexidade de seus órgãos, 2 + 2 nem sempre é 4 como na matemática. As armas que temos? Fazer exatamente o que você fez. Ler sempre a bula para saber como agir o quanto antes. Informar ao médico todo seu histórico de saúde e sempre dizer a ele quais outros medicamentos está usando - para que não haja interações entre os medicamentos.

      Desejo a você boa sorte e despeço-me dizendo a imensa admiração que tenho por sua coragem. Pode ter certeza que muitas, inúmeras, incalculáveis mulheres não passarão pelo que você e outras tantas passaram... E isso se deve apenas a seu nobre gesto. Parabéns!

      Obrigada pela colaboração com o artigo - Seja sempre bem-vinda!

      Renata Fraia



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